Now Playing Tracks

Fale pra ela

  • 1:

    se você não soubesse o que quer, não estaria falando assim desse jeito, né?

  • 2:

    que jeito?

  • 1:

    me incentivando a te esquecer...

  • 2:

    não sei.

  • 1:

    você sabe sim.

  • 2:

    sei mesmo.

  • 1:

    era melhor falar logo.

  • 2:

    mas eu estou confuso.

  • 1:

    sabe e está confuso?

  • 2:

    é...

  • 1:

    está confuso por você ou pra não magoar?

  • 2:

    é...

  • 1:

    desisto.

  • 2:

    do quê?

  • 1:

    da gente.

Sinto muito, acabo de completar 25

O que eu posso dizer de importante aos 25 anos? Nada, absolutamente nada. Mal vivi. Sou uma reprodução ambulante de clichês que fui apreendendo no meu vocabulário de vida ora de meus pais, ora de quaisquer outras pessoas que toparam repassar algum desses segredos.


“Chorar faz bem”

“Tentar não custa nada. O não é garantido”

“Escute o que estou te dizendo, tenha paciênica, quando tiver a minha idade vai agradecer”

“Você não tem nada a perder: não tem família, compromissos, fardos para carregar. Tente”

“Leve um casaco, você pode pegar um resfriado”

“Não vá de havaianas para a faculdade”

“Não fique até tarde no trabalho”


A lista de coisas que os outros viveram para que pudessem ensinar a mim e a quem quiser é grande. Mas nunca ninguém falou que eu teria sentimentos. E mais, que teria que administra-los enquanto moldo minhas situações aos tantos conselhos, digo, fórmulas, que recebo.


No final das contas é o que acabo sendo: muitos sentimentos em muitas situações. Disso posso falar aos 25. Posso falar porque, taí, sentir é algo que faço muito e o tempo todo. E, talvez, a única fórmula aplicável à esta ação é a de não evitar e não aumentar.


Não evite sentir. Não sinta mais do que o necessário.


Você também sente que eu sei. Mesmo que me diga que não está sentindo nada, eu te digo que isso o que você chama de nada é você sentindo vontade de sentir algo que acha ser maior ou mais legal do que o está sentindo no momento.


É confuso, mas faz sentido. Leia mais uma vez. Viu? Quem não sente o nada, sente tudo.


E, aos 25, morando sozinha em São Paulo, essepê, sinto muito, o tempo todo, tanto que até canso de tantas desculpas por não respeitar a fórmula de moderação.


Sinto muito o tempo todo

Sinto pelo adeus não esperado

Pela volta não desejada

Pelo encontro adiado


Sinto por não poder te ajudar como deveria

Sinto por não querer te ajudar como poderia

Sinto por estar fazendo o que quero


Sinto o frio que me vence

Sinto o Sol trazendo algum conforto

Sinto tudo e por tudo

Sinto o tempo todo

Mudei melodia, mudei nota, e ai Me Abraça (Banda Eva) ficou uma desafinação só.

E sim, anda faltando mais ar que o comum. Alergia anda atacada. E não, a voz fraca no final de cada frase não é charme, são todas as “ites” alérgicas atacando ao mesmo tempo e, claro, falta de talento.

Espero que se divirtam. 
Ah! A dica da música foi do @dudsbessa.

Lembramos de esquecer

Aconteceu há algum tempo - e pode ter sido de verdade -, muitas pessoas que haviam se conhecido por conta de um amigo em comum. Um amigo que ninguém conhecia pessoalmente. Mas de tanto ouvir, era como se pudessem ver. E por verem o que não podia ser visto sem certa vontade, se juntaram para se conhecerem melhor. Conversaram muito, cantaram e aprenderam a tocar violão, guitarra e baixo, viajam para acampar e gostavam de teatro e dança. Eram pessoas que pareciam estar unidas. Havia algum rumor sobre amizade verdadeira. Falavam de amigos mais chegados que irmãos. E de tanto falar, e de tanto fazer, e de tanto repetir, isso virou uma verdade e a impressão que passou foi a de que esqueceram que quem os apresentou não foi a dona rotina, presa em reuniões e ensaios. Mas sim aquele amigo em comum que todos conheciam mas nunca tinham visto.
Aconteceu que um dia alguém precisou de afastar e ir para longe. Logo, teve que faltar as reuniões. Não cantava mais com o grupo, nem estudava violão, guitarra e baixo, não conseguia viajar mais para acampar e deixou de dançar. Mas não ia acontecer nada, eram seus amigos mais chegados que irmãos.

Aconteceu também, porém, que as atividades não podiam parar. Logo encontraram alguém para substituir aquele alguém na banda e ocupar seu lugar na coreografia. E isso deixou a pessoa que foi embora aliviada porque sua saída ia deixar apenas saudades nos amigos mais chegados que irmãos que ela tinha feito.

Mas passou um dia, dois meses, três anos e a sensação era de que por não estar mais ali, a pessoa nunca pertenceu àquele lugar e nunca conheceu amigos mais chegados que irmãos. Ela só seria lembrada caso conseguisse entrar na rotina de atividades novamente?

Os que ficaram esqueceram de lembrar dos que foram e os que foram desistiram de querer ser lembrados. E todo mudo esqueceu de quem começou tudo.

Voz fraca, quase sumindo, e desafinada como sempre.
De Anormal no vídeo, só o nome da música do Pato Fu.

[primeira tentativa]

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